Certa vez alguém me disse que o que começa errado, tende a acabar errado.
Eu, mais-que-rápido, disse: - Não é bem assim!
Argumentei dizendo que a beleza da vida se esconde exatamente nisso, a capacidade de lapidar o errado, enche-lo de tão intensa luz, carinho e amor que no decorrer da jornada, assim como substâncias químicas quando agrupadas e submetidas à quantidade de energia necessária, transmutassem a uma forma diferente e esplendorosa. Caso essa união não resultasse no produto esperado, a matemática nos assegura constantes não mudam, não existe nem (errado)² e nem (errado/2). Em minha maneira primária de operar, o resultado menos gratificante seria igual ao valor principal.
Assim segui, utilizando essa hipótese errônea por algum tempo. Dividindo sem medo de dividir, somando e diminuindo como se no fim não houvesse perdas, mas esqueci de um detalhe básico, ao contrario das constantes, as energias se consomem, e infelizmente elas nem sempre são renováveis ou inesgotáveis.
Muito tempo passou até que eu percebesse tal efeito, somente quando precisei vi que a energia que me acompanhava estava quase se esgotando, então vi que já não podia transformar um metal barato no mais puro ouro como fazia. Percebi também que o errado realmente não mudou, mas eu havia mudado. Tantas divisões, radiciações e, por vezes, até operações com números imaginários haviam me transformado em um algarismo já não tão operável, temente de seu inverso e de sua proximidade a origem dos reais.
Isso acabou por me fazer mudar de ponto de vista. Hoje embora ainda não desacredite totalmente de minha teoria, não acho que valha a pena gastar energia em cima de algo que não temos certeza absoluta que sofrerá mutação, existem coisas melhores pra energizar e lugares melhores pra despejar os sentimentos que carregamos.
Quanto a minha perda de casas decimais, não foi de todo ruim. Hoje sou número primo, aceito somas, multiplicações agregações de valores, se for o caso até mesmo uma subtração que me leve a meu operador primário. Porém divisão aceito por 1, único número que me preserva a essência, alem dele. Só me divido por mim!
*Ício*
quinta-feira, 24 de junho de 2010
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