quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O avião

***** Copiado do Blog do meu irmão...

"Toda vez que coloco os pés em um aeroporto, lembro da introdução de "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Marquez. Lá diz que, em frente ao pelotão de fuzilamento, o personagem principal lembrava do dia em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Parece estranho: é que na verdade, lembro-me do livro e lembro-me do dia em que meu pai me levou para conhecer os grandes aviões.
Não que eu não conhecesse.. de fato, eu e meu pai já havíamos voado em um pequeno monomotor e me lembro da decolagem naquele aeroporto de interior, naquela pista de grama. Foi, de fato, uma sensação indescritível.
Mas as melhores lembranças, que são lá de meus oito, dez anos de idade, são da primeira vez no Aeroporto Salgado Filho. Subimos uma escada, chegamos a um grande salão, onde havia uma cafeteria e, em frente, uma grande vidraça. De um lado, estávamos nós. Do outro, um passaporte para um mundo distante. Aquela imagem de pessoas subindo em aviões e sumindo no horizonte.
Lembro que ao nosso lado, haviam crianças esperando por seu pai que prometera que colocaria um pano vermelho na janela do avião, para que todos soubessem que ele estava lá. Em minutos, na aterrisagem de um avião da VASP, lá estava a "janela vermelha", a indicar sua chegada.
Nunca mais esqueci disso. E a cada viagem, a cada aterrissagem, a cada decolagem, recordo-me desse fato, recordo-me de meu pai e recordo-me de um tempo feliz, em que as incertezas quanto ao futuro eram encaradas como desafios para a superação de obstáculos."
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Saudade dessas lembranças... Saudade de ter meu pai por perto...
Como eu queria poder esperar uma janela vermelha agora!!!

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