domingo, 19 de julho de 2009

Inverno

O inverno é capaz de buscar os mais estranhos sentimentos dentro de nós, é como se o vento gelado, a chuva que salpica ao longe, a ausência de calor nos pés e a quantidade de lã junto ao corpo, quando somados parecem ativar um comando cerebral que nos faz refletir sobre uma pessoa em especial, ou algumas, dependendo do caso.

No inverno as pessoas ficam mais carentes, mais carinhosas, mais sensíveis e tal.

A idéia de inverno perfeito para a maioria das pessoas é realizar por mais um ano aqueles momentos únicos de “vinhozinho” com fondue na frente da lareira, “filminho água com açúcar” de baixo da coberta, chocolate quente numa tarde fria de sábado, pipoca e quentão no domingo.

E agora começa a cair a temperatura, todos esses pensamentos chegam, as pessoas começam seus planos de inverno, e eu aqui... Esperando...

Cada vez mais frio e eu aqui fumando um cigarro, ouvindo música e esperando por alguém que nem mesmo sei se chegará.

A cada risco que o termômetro deixa de esconder sobe a vontade de ir até o Zaffari, naquele perto de casa, onde eu e a Debby descobrimos a prateleira 1001, onde mora a solução de todos os problemas. Queijos, chocolates e gostosuras mil, que após algumas passagens da vida, comentamos, não uma só vez, que seriam a única coisa realmente necessária na vida... Saudade dela nesses momentos.

E o termômetro segue a descer, ao contrario da maioria das pessoas, não são mais esses pensamentos meigos que me invadem agora, e sim a amargura da inexistência deles.

Agora junto com ele cai a esperança de um inverno pra ser lembrado com saudade, a única coisa que sobe, e essa não aos poucos, é a vontade de abrir a janela e começar a gritar algo que ainda não sei o que é.

O termômetro segue descendo, constato isso pelas escalas, mas não mais sinto o frio. Estranha essa lei da sensação térmica... Não se sente o frio se estivermos mais gelado que ele.